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Apanha da Castanha
Apanha da Castanha

2014.07.04

Soutos com castanheiros preenchem as paisagens de Trás-os-Montes, onde o tom do outono se mistura com a atividade de centenas de homens e mulheres que dedicam um mês à laboriosa apanha da castanha.

Esta atividade, que anteriormente era desenvolvida de forma tradicional, tem vindo a ser simplificada graças à  mecanização da sua colheita, facilitando a tarefa aos apanhadores do fruto.

A castanha é uma das principais produções frutícolas da região, sendo uma importante fonte de rendimento de muitas famílias transmontanas, sobretudo em algumas freguesias do concelho como exemplo a aldeia de Soeima, representando um peso na economia local.

Crua, assada ou cozida, a castanha pode ser utilizada na culinária, a acompanhar os assados e em puré, em pratos de carne e peixe, sopa, ou sobremesas. A castanha é muito nutritiva e contêm uma quantidade apreciável de vitamina C, E, B1, B6 e B9 (ácido fólico) e de sais minerais, como o potássio e magnésio. Este fruto de casca rígida é também aproveitado para a confeção de ração animal e farinha alimentar, bem como em produtos cosméticos.

A região transmontana é responsável por 85% da produção nacional, pois o seu clima bem como as caraterísticas da terra e as espécies plantadas são a razão da excelência do produto e que fazem de Portugal um dos mais importantes produtores de castanha a nível europeu, ocupando o 2º lugar.

Atualmente, devido à sua vasta comercialização, o produto tornou-se uma mais-valia, através de empresas que se dedicam à sua preparação e congelação para exportação.

Segundo o Presidente da Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé, Engenheiro Eduardo Tavares, “a castanha não é o produto principal da cultura agrícola do concelho”, sendo o azeite e a amêndoa “produtos com maior impacto económico”. No entanto, o mesmo refere que nestes últimos dez anos a castanha tem vindo a adquirir uma maior relevância económica a nível local, uma vez que “esta produção tem aumentado anualmente” e “é nas freguesias próximas da serra de Bornes que esta cultura se fixa”. Salienta ainda que “a nível distrital veio verificar-se que este setor ainda se encontra muito desregulado, pouco estável, devido à variação do preço durante a campanha”. E acrescenta que “atualmente existe uma estratégia a nível do município no desenvolvimento e promoção desta atividade pela importância económica que ela tem vindo a adquirir, para o efeito o município recorreu à REFCAST (Associação Portuguesa da Castanha), que se dedica ao desenvolvimento e produção deste produto, onde se fixam os principais produtores e transformadores da mesma”. No respetivo concelho existem cerca de 300 produtores e colhem-se entre 400 a 600 toneladas de castanha, numa área aproximadamente de 300 hectares. A nível do distrito existem três empresas que fazem a recolha e transformação do fruto, nomeadamente a Sortegel; a Mitalco e Alcino Nunes.

No mês de novembro de 2013, realizou-se na freguesia de Sambade, o Seminário “A castanha na economia local”, numa freguesia que se assume como uma das principais produtoras concelhias de castanha, sendo a apanha e comercialização uma importante fonte de rendimento para os locais. A organização do referido seminário foi no âmbito da estratégia de promoção e valorização do produto. Segundo o Presidente da Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé, Engenheiro Eduardo Tavares, na qualidade de Vice-Presidente do município, “a realização deste seminário teve como objetivo e ponto de partida para futura realização duma feira da mostra e divulgação da castanha”.