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Apanha da Cereja
Apanha da Cereja

2014.07.01

A produção de cereja em Alfândega da Fé é relativamente recente. Foi na década de 60, graças ao projeto visionário do Engenheiro Camilo de Mendonça, que a cereja começou a assumir importância na economia concelhia. Este engenheiro, natural de Vilarelhos, uma freguesia do concelho de Alfândega da Fé, idealizou um projeto hidroagrícola para dinamizar a agricultura transmontana, que tal implicou também a criação da Cooperativa Agrícola local, ainda hoje responsável pela maior mancha de pomares de cereja existente em Alfândega da Fé, cerca de 60 hectares. 
O trabalho desenvolvido em Alfândega da Fé estava integrado num projeto mais vasto que este engenheiro delineou para a região transmontana. Camilo de Mendonça programou e implementou a construção de barragens, do complexo agroindustrial do Cachão e também plantações adaptadas às caraterísticas de solo e climáticas dos diferentes concelhos. Um projeto inacabado, mas que permitiu fazer de Alfândega da Fé a capital da Cereja do Nordeste Transmontano.

A cereja de Alfândega pelas suas caraterísticas qualitativas, mas também apelativas, foi-se afirmando, ao longo dos anos, como a principal imagem de marca deste concelho do Nordeste Trasmontano, a tal ponto que o logótipo do Município é uns brincos de cereja, a fazer lembrar que há mais de 50 anos o Eng. Camilo de Mendonça projetou para o concelho a maior plantação de cerejais da Península Ibérica. 
Nos últimos anos a produção sofreu uma quebra significativa, resultado também da reconversão da plantação efetuada com cerca de 20 anos de atraso. Atualmente, o concelho é responsável pela produção de cerca de 150 toneladas de cereja, distribuídos pela Cooperativa Agrícola e cerca de 15 pequenos e médios produtores. Dentro de 2 anos o concelho poderá ultrapassar a fasquia das 200 toneladas, altura em que as novas árvores plantadas começarem a produzir em pleno. As principais variedades de cereja são: burlat, sunburst, van e summit.
A floração acontece por volta dos meses de março / abril, proporcionando um espetáculo de rara beleza. A apanha é mais tardia do que noutras zonas produtoras, inicia-se na 2ª quinzena de maio e prolonga-se até meados de junho. 
Em fresco, o fruto é comercializado, principalmente na região Norte do país, destacando-se a grande quantidade de cerejas vendida durante a Festa da Cereja. As cerejas de Alfândega servem-se à mesa até meados de junho e a partir daí podem encontrar-se em compotas, bebidas licorosas ou até em pratos da gastronomia local. 
Recentemente a cereja e os seus subprodutos conhecem também aplicações na área da saúde e bem-estar, é o caso das Almofadas de Caroço de Cereja, do Chá de Pé de Cereja e de tratamentos de Cerejoterapia existente no Hotel & SPA Alfândega da Fé.

Segundo o Presidente da Cooperativa Agrícola de Alfandega da Fé, engenheiro Eduardo Tavares, hoje a cereja tem uma importância mais a nível simbólico de marca e imagem que a nível económico, embora esta cultura tenha tido um maior desenvolvimento económico na década 70/80, a sua importância sempre esteve muito restrita à cooperativa, tendo havido muito dinamismo a nível privado.

Neste momento há um declínio na produção e no número de produtores pelo facto da pouca dinamização e de não se ter trabalhado na comercialização, escoamento e imagem do produto, levando a que outras zonas do país, também com a mesma cultura, estejam a ganhar maior relevância.

Uma vez que esta cultura tem custos de apanha elevados e conservação difícil, levou a que entrasse em alguma decadência. No entanto, a cooperativa vai continuar a mantê-la e a modernizar os seus pomares para desta forma continuar a manter a sua imagem de marca.